Infelizes são as famílias que não tem história e isso é quase não ter nome, é quase não ter Pátria.

Felizes, ao contrário, as famílias que tem história para recordar, Porque ela constitui a fonte fecunda, Inesgotável e profunda, de suas energias morais e a cada passo que dão sentem, atrás de si, o registro da própria imortalidade.

Os desbravadores – sua chegada e os desafios:

Os habitantes de São Bonifácio têm sua vida intimamente ligada à agricultura. Desde os primórdios, com a chegada dos imigrantes, a principal atividade sempre esteve relacionada com a terra. Os colonos já eram, na sua origem, agricultores. Na Alemanha, a terra, embora fraca, já estava amainada. Havia também gado, porcos e aves. Plantava-se cevada e trigo para fazer o pão. Os imigrantes estavam muito acostumados com o gado e a principal fonte de subsistência era o leite e seus derivados, principalmente a manteiga e o queijo.

Chegados ao Brasil, tudo era diferente. Em vez de Planícies, tinham diante de si vales e altas montanhas. Tudo estava coberto de densa floresta. Inicialmente armados de uma espingarda, munição e um facão partiam para procurar uma terra melhor. Achado o pedaço de terra que lhe agradava, o colono retornava com mais munição, munido de foice e machado e derrubava um pedaço de mato. Até que esse mato derrubado estivesse em condições de queimar, trabalhava no caminho para poder, mais tarde, buscar a família.

Depois de queimar o mato derrubado, buscavam em burros, cavalos ou cargueiros, a semente de milho, batata inglesa, feijão, mudas de aipim semente de frutas e também mudas de grama para mais tarde servir de pastagem para o gado. Também construía uma cabana inicialmente coberta com folhas de palmeira.

Os primeiros habitantes e suas famílias:

Cumprida essa tarefa de estruturação inicial do local, buscava a família. Durante a viagem, os objetos eram colocados em duas cestas de taquara, embaixo as panelas e louças da cozinha, por cima, as cobertas, travesseiros e lençóis, e em cima destes, as crianças com menor idade. As cestas eram penduradas num burro ou cavalo. Os pais e filhos mais velhos iam a pé. Para a mudança levavam alguns dias. Sem dúvida a terra era fértil, mas era preciso derrubar a mata. Animais domésticos inicialmente não havia.

Serrando madeira:

Para a construção de suas casas tinham que serrar sua própria madeira. Através do uso do serrote, dois homens puxando um cada lado executavam a tarefa que duravam dias para serrar uma única tora.

Transporte de madeira:

Nos locais que tinha serraria esse transporte era feito através de carretões de dois eixos, puxados a boi. Hoje, o transporte é feito através de modernos caminhões.

Transporte de Produtos:

Os colonos herdaram de seus ancestrais, imigrantes a prática da criação de gado, que tinha como primeira finalidade o leite e seus derivados, um componente básico na alimentação diária. Se nas planuras da Alemanha o cavalo era o animal preferido pra tração, no montanhoso Vale do Capivari, o boi era mais apropriado e a carroça foi substituída pelo carro de boi.

O transporte também era feito em lombo de burros pelas picadas primitivas ou estradas mal traçadas seguindo o curso dos rios, subindo e descendo morros até a cidade de Desterro (hoje capital Florianópolis). Aos domingos, esses animais seriam usados para cavalgar até a igreja e durante a semana servia para transportar produtos da roça para casa ou para a venda e a atafona. Era também atrelada “aranha” (ou charrete), principal meio de transporte por muitos anos. Ultimamente, com a difusão do automóvel, o cavalo perdeu sua importância, embora ainda hoje seja possível ver nas ruas da cidade, em circulação, algumas charretes.

Com o tempo, os meios de transporte deram então um passo à frente com a introdução do carro de boi. Não havendo estradas e as terras sendo muito acidentadas carretas de quatro rodas tinham dificuldade de trafegar, enquanto que o carro de boi era menos exigente em questão de estradas.

Transporte de doentes:

Nos primeiros tempos o transporte de doentes para a cidade de Desterro (Florianópolis) era feito de maca. Essa maca era feita de pano e madeira, com dois cavaletes como suporte. Era conduzida por quatro pessoas, pois a distância era longa e o paciente tinha que ser transportado o mais rapidamente possível. Hoje, utiliza-se a ambulância ou até mesmo o helicóptero se for necessário.

Forno de pão e a casa em estilo enxaimel:

O colono é que construía a sua própria casa. Era em estilo enxaimel ou de alvenaria. Fabricava ele mesmo os tijolos, pois o transporte era difícil e oneroso. Esse estilo que procura trabalhar o tijolo assentado com barro queimado e a madeira de forma conjunta, sendo essa madeira disposta em formas geométricas interessantes. A cobertura pode ser de tabuinhas, telhas ou mesmo folhas de zinco.

A vida na colônia começou na mata e se desenvolveu longe dos recursos da cidade e à custa dos esforços de cada colono. Cedo surgiram inúmeras necessidades que gradativamente foram atendidas pelos próprios imigrantes e seus descendentes. Na Alemanha, o colono levava o seu trigo para o moinho tocado a vento, que ficava ali perto do povoado.

No Brasil, o imigrante em vez do trigo, teve de habituar-se ao milho e, para triturá-lo, construiu atafonas onde em vez de vento, as águas é que tocavam as chamadas mós das atafonas para produzir o fubá. Nos primeiros tempos eram poucas as atafonas e os colonos percorriam longas distâncias para moer o milho. Apesar da gradativa substituição do fubá pela farinha de trigo, o colono ainda prefere o pão de milho, cuja farinha é moída na atafona com mó de pedra. Dizem que o calor da pedra confere sabor especial ao fubá.

Casamento:

A festa de casamento era a maior festa familiar precedida de longa preparação: engordavam um boizinho, alguns porcos e muitas galinhas. Quase todos os moradores da comunidade eram convidados.

Um dia antes do casamento, pessoas especialmente indicadas e acompanhadas pelo noivo, buscavam a noiva para a casa do noivo onde estava para acontecer à festa. Esta festa era feita num clima de muita alegria, expresso em algazarra e cantoria, porém no máximo respeito e ordem.

No dia do casamento, montados a cavalo e ornados com fitas de papel de seda, precedidos de um cargueiro com as roupas de festa e acompanhados das testemunhas, iam os noivos para a igreja. A noiva vestia seu vestido que na época era de cor preta.

Confecção de artesanato:

O artesanato sempre foi uma alternativa para subsidiar a economia doméstica. Os alemães, quando na Europa, se utilizavam dele quando a agricultura não ia bem. Praticamente, em todas as casas havia um tear. Trabalhavam também em couro e no polimento do vidro. No século XVIII, com o início da industrialização, as pessoas começaram a perder este “ganho”, sendo um dos motivos para a imigração, além de fome e das guerras. Alguns deles escolheram o Brasil pela grandeza do país, pelas promessas de governos e pela esperança em dias melhores. Viriam para um país que necessitava de mão de obra em todos os sentidos. Aqui, pelo convívio de outras culturas e pela fartura de material, foi introduzida a palha, a taquara e o cipó, na confecção de vários utensílios. As crianças brincavam com brinquedos feitos em madeira ou tecido. Os mais abastados poderiam brincar com bonecas de porcelana. Faziam também utensílios em madeira e algumas ligas metálicas.

As mulheres costuravam, bordavam, além dos outros afazeres domésticos. Praticamente, todas as técnicas do ofício eram repassadas para os filhos.

Dança típica alemã:

A dança folclórica também expressa a cultura de tradição alemã e que está presente em São Bonifácio. Nesse desfile é representado pelo Grupo Folclórico Infanto-Juvenil Kleine Tänzer. Foi fundado em 27 de junho de 1998 e tem a finalidade de resgatar as tradições germânicas através de cantos, danças folclóricas e da história do município. Hoje o grupo possui o coral infanto-juvenil, o grupo de danças e o grupo de violão totalizando 50 integrantes. O grupo é mantido através do pagamento de contribuições, promoções e livro ouro.

A vida econômica de São Bonifácio:

Nosso município é um grande produtor de mel de excelente qualidade e aroma típico em função da exuberante mata nativa existente em nosso município. A também produção de cachaça e vinho artesanal, onde a matéria prima é produzida pelas próprias pessoas que o produzem.

Além desses segmentos, o município de São Bonifácio tem na agropecuária sua principal fonte de renda e de ocupação de mão de obra. O leite é a atividade presente na maioria das propriedades agrícolas de nosso município. Mostrando o potencial genético da raça Jersey presente no rebanho leiteiro do município Hoje, São Bonifácio possui dois Laticínios, que transformam o leite em diversos derivados que são comercializados em todo pais.

A madeira e a fabricação de tábuas e esquadrias em são Bonifácio é antiga, e inicialmente explorado pela madeireira Siama que possuía serrara á vapor. Hoje as marcenarias montam as esquadras do tamanho e do modelo desejado. Também é produtor de fumo, aves de corte e hortaliças.

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